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História da Palestina / Português

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História da Palestina

A Palestina não é um conceito inventado no século XX. É uma terra com raízes profundas, um povo contínuo e uma história de pertença que se estende por milénios. Esta página oferece o relato geral da Palestina tal como os próprios palestinianos a entendem: uma história de presença indígena, camadas sucessivas de civilização, rutura colonial, despossessão em massa e resistência ininterrupta. O povo palestiniano nunca aceitou o apagamento da sua história nem a negação permanente dos seus direitos. O seu relato é o da sumud — a constância — perante um poder esmagador.

Uma terra que sempre foi habitada

Muito antes de os mapas políticos modernos serem desenhados, a terra entre o Mar Mediterrâneo e o rio Jordão albergava cidades-estado cananeias, comunidades filisteias costeiras e depois populações sucessivas que se tornaram os antepassados dos palestinianos de hoje. A evidência arqueológica, a continuidade linguística e as tradições vivas apontam todas para uma presença profunda e contínua.

Os impérios vieram e partiram — o povo permaneceu

Assírios, babilónios, persas, gregos, romanos, bizantinos, califados islâmicos sucessivos, cruzados, aiúbidas, mamelucos e otomanos governaram a terra em diferentes épocas. Cada um deixou vestígios arquitetónicos, administrativos e culturais. No entanto, através de cada mudança de governantes, a população local permaneceu como os habitantes principais das aldeias, vilas e cidades.

O projeto colonial e o caminho para a catástrofe

No final do século XIX e início do XX, um movimento político conhecido como sionismo emergiu na Europa com o objetivo explícito de estabelecer um lar nacional judeu na Palestina. A Declaração Balfour de 1917 prometeu apoiar um «lar nacional para o povo judeu» na Palestina, referindo-se apenas vagamente aos direitos das comunidades não judaicas existentes — que constituíam a esmagadora maioria da população.

A Nakba de 1948 — A catástrofe fundadora

Mais de 750.000 palestinianos foram expulsos das suas casas. Mais de 400 aldeias foram esvaziadas e em muitos casos arrasadas. Famílias que tinham vivido durante gerações em locais como Lydda, Ramle, Deir Yassin, Tiberíades, Safed, Haifa, Jafa e centenas de outras localidades tornaram-se refugiados de um dia para o outro. O direito de retorno destes refugiados e dos seus descendentes permanece uma das questões fundamentais não resolvidas do conflito.

Ocupação, colonatos e resistência contínua

Em 1967 Israel ocupou a Cisjordânia, Jerusalém Oriental, a Faixa de Gaza e outros territórios. Esta ocupação dura agora há mais de meio século. Foi acompanhada pela construção de centenas de colonatos em terra ocupada, pela construção de um muro de separação, postos de controlo militares, demolições de casas e um sistema complexo de controlo que fragmenta a vida e o território palestinianos.

Gaza, Cisjordânia e a realidade presente

Hoje a Palestina continua a ser uma questão viva. Em Gaza, sob bloqueio desde 2007 e sujeita a assaltos militares repetidos de escala devastadora, mais de dois milhões de pessoas continuam a sobreviver e a resistir. Na Cisjordânia, confrontos diários com colonos e o exército moldam a vida. Na diáspora, milhões de palestinianos mantêm a memória das suas aldeias e a exigência do retorno.

A história continua

Esta série de páginas conta essa história em detalhe. Está escrita a partir de uma perspetiva palestiniana clara — não como propaganda, mas como o relato histórico de um povo que se recusa a desaparecer. A história da Palestina ainda está a ser escrita por aqueles que insistem que a justiça, por muito atrasada que seja, continua a ser possível.